terça-feira, 18 de agosto de 2015

A época 2015/2016 começou :)


Olá a todos. 

Estive a passar por uma ressaca de corrida, vamos chamar-lhe assim...

Estou de volta ao activo. Aguardem os próximos posts.




domingo, 21 de junho de 2015

Oh Meu Deus 2015 - Ultra Trail Serra da Estrela - A lição!

No sábado dia 30 de Maio eu e o Xico seguimos rumo a cidade da Covilhã para iniciar o tão esperado estágio em altitude. Na segunda íamos encontrar-nos com o Luzio para nos instalarmos nas Penhas da Saúde a cerca de 1500 metros de altitude. Ai iriamos ficar até sexta dia da partida das distancias das 100 milhas e dos 100 Km que iria acontecer em Seia.

Foi uma semana em cheio: treinos suaves, caminhadas, descanso e boa disposição. Poderíamos dizer que os 2 Serranitos e este projecto de Serranita estavam com bom ar.


                                 


O Xico e o Luzio iam fazer a prova dos 100 Km e podia-se perceber algum nervosismo da parte deles pese embora eles dissessem que não.

Eu por outro lado não me sentia nada nervosa. Estava sim ansiosa para que o dia chegasse. Sentia-me preparada quer física quer mentalmente. Este ultimo ano foi forte em termos de preparação. Muitos treinos e provas longas para me preparar para o tão esperado dia. Só queria começar e aproveitar.

Seguimos para Seia na sexta-feira depois de almoço. Ainda queríamos ir ver a partida das 100 milhas e dar incentivo a alguns amigos que se preparavam para iniciar esta aventura.

Chegados a zona da Câmara Municipal onde estava instalado o "quartel general" do Oh Meu Deus fomos levantar os dorsais. Comecei logo a sentir a adrenalina da festa. Só de ver os super atletas a prepararem-se para a partida já estava com vontade de me ir vestir e começar logo. E pensar que ainda tinha de esperar pelo dia seguinte para iniciar a minha prova

Cá está o vídeo da partida das 100 milhas.

video


De regresso ao hotel o Xico queria dormir um pouco e eu não tinha sono nenhum. Fiquei entretida a tentar pôr a funcionar a Action Cam que tinha comprado para filmar alguns momentos da prova. Por volta das 20h fomos jantar e depois dão-se inicio os preparativos para a partida da prova dos 100Km que iria começar as 23:59h. No meio dessa azafama comecei a ficar com alguma ansiedade. Afinal o Xico e o Luzio iriam partir não tarda e iriam fazer cerca de 6h de noite pela Serra. Não é que eu tivesse medo, mas os nossos frontais (todos iguais) comprados online e vindos de um pais que inspira pouca confiança para estes gadgets causavam-me um certo desconforto. Bem, há que pensar positivo e torcer para que tudo corra bem.

Saímos do hotel rumo a zona da partida. Eles entregaram os sacos para os postos de troca de roupa e fizeram o controlo zero. Eu e a Cláudia, que já se tinha juntado a nós, ficamos de fora a assistir aquelas movimentações. Dá-se inicio ao briefing e dentro em breve será a partida. Beijinhos e votos de boa sorte e ai vão eles rumo ao desconhecido.

E eu a continuar sem sono… De regresso ao quarto tento dormir mas nada. Só pensava se aquelas duas alminhas estavam bem. Resolvi ligar o computador para ver o acompanhamento online da prova na passagem dos postos de controle/abastecimento. Achei estranho serem quase 2h da manhã e ainda não aparecer a passagem no primeiro posto no Sabugueiro. Tinha feito com o Xico uma estimativa de passagem nos postos de abastecimento da minha prova e tínhamos definido que deveria demorar no máximo 2 horas a chegar ao Sabugueiro. Se eu demoraria 2h no pior cenário como é que eles ainda não tinham passado??? Mas depois percebi que nem eles nem ninguém aparecia. Só então me lembrei da informação que a organização deu a noite. Tinha caído um temporal de granizo que tinha afectado as comunicações em algumas zonas da Serra. Ok. Pode ser que seja isso. Quando ia desligar o PC começaram a aparecer os tempos de passagem. E eis que o Xico e o Luzio apareciam no grupo dos 1ºs… Ohhh Meuuu Deuuussss estes rapazes vão doidos. Espero que não rebentem… Aiii vou deitar-me e logo vejo quando acordar onde é que eles estão. Acordei as 4h30. Decidi não ir ver. Não consegui dormir mais. Fui tomar banho e preparar a traquitana. Desci para tomar o pequeno almoço na companhia da Cláudia. As duas agarradas ao telemóvel para tentar perceber onde é que aqueles doidos andavam. Vale Glaciar… Outra vez a aparecer nos primeiros. Aiii que caneco… Mandei sms ao Xico a perguntar onde estava e ele diz-me: “ A chegar a Unhais, 1º”… Again!!!??!!! Bem a coisa deve estar-lhes a correr bem. Fixe. Vou esquecer a prova deles e preocupar-me com a minha.

Tralha as costas e aqui vou eu. Digo tralha as costas porque tive de levar TUDO comigo. Não há cá sacos para deixar em abastecimentos. Na prova dos 70K vai tudo as costas. A minha mochila pesava cerca de 6/7 Kg já a contar com a agua. Nada de mais...

Na partida alguns amigos que iam também participar nesta aventura, o JP e o Jorge. Damos força uns aos outros. Breves palavras de força com a amiga Cláudia. Foto para a posteridade. Briefing dado e sigaaaaaa!!! Aqui vamos nós.



Começamos logo a subir e muito até ao Sabugueiro. Passamos pela Povoa Velha, aldeia onde o ano passado havia um abastecimento. Este ano não havia abastecimento previsto para esta aldeia mas… eis senão quando ao virar da esquina e depois desta foto tirada pelos Bombeiros de Seia vejo um abastecimento popular feito por emigrantes residentes em França. Soube-me a pato!! Melancia, melão, agua fresca, coca-cola.. Nhammy.




Ia a bom ritmo e estava dentro do tempo previsto para chegar ao Sabugueiro. E assim foi. Nesse abastecimento atestei com agua, bebi mais coca-cola comi mais uma frutinha e algumas batatas fritas e amendoins e já está. Vamos lá embora rumo ao Vale do Rossim.

Pouco depois de sair do Sabugueiro numa subida vejo ao longe um rapaz sentado numa pedra. Como vejo mal e não consigo correr com óculos pareceu-me um bombeiro porque tinha uma camisola vermelha. Quando cheguei perto percebi que era um companheiro de corrida que estava a descansar. Perguntei se estava tudo bem ao que ele respondeu que estava só a recuperar e a comer qualquer coisa porque estava a sentir-se um pouco fraco. Aproveitei a companhia e seguimos os 2. A chegar ao Vale do Rossim o terreno começou a descer com um estradões bons e comecei a rolar. O meu colega acabou por dizer para eu seguir. Assim fiz e lá cheguei ao Vale do Rossim dentro do tempo estimado no meu plano de prova. Estava ansiosa por comer qualquer coisa de consistente, sem ser fruta ou batatas fritas e coca-cola. As minhas barrinhas já tinham todas derretido nesta altura mas sabia que ia haver sopa e tostas mistas nesse abastecimento e estava a salivar. Quando cheguei ao abastecimento procurei a panela da sopa com o olhar mas nada... Disseram-me que como estava muito calor e a sopa já lá estava desde a noite tinha azedado e as tostas mistas já tinham acabado a muito. Não acredito. Enche com mais coca-cola, fruta e batatas fritas. A partir daqui sabia que ia ser muito complicado o terreno até a Torre. Já tinha feito em Setembro do ano passado o percurso do Vale do Rossim até a Nave da Mestra e sabia que havia muita pedra e a progressão seria difícil. Também estava muito calor e ia ser necessária muita energia. Fiquei preocupada por não ter comido nada de jeito por isso resolvi tomar um gel que seria a sobremesa do almoço "farto" que tinha tido. Optei também aqui por tirar a tshirt e seguir de top para ir mais fresca. Pus protector solar factor 50 porque na serra não se brinca. O meu colega de prova Paulo tinha também chegado ao abastecimento mas entretanto como já estava despachada acabei por seguir. Depois de sair do Vale e como tinha agua fresca decidi preparar electrólitos. Para mim mais importantes que o do açúcar é o sal. Bebi um pouco e segui. Distrai-me enquanto preparava os electrólitos e enfiei-me por um monte de silvas onde mal me conseguia mexer. Apercebi-me que o caminho não seria por ali. Perdi algum tempo e quando voltei atrás voltei a encontrar o Paulo e a partir dai fomos sempre os dois a dar apoio moral um ao outro.

Após entrar no trilho para a Torre comecei a ficar impaciente porque nunca mais chegávamos a Nave da Mestra e eu tinha ideia que fosse mais perto. É claro que o trilho que seguíamos podia ser outro mas pensei que estaria já ali ao virar do próximo pedregulho. Mas não... Isso não acontecia...Demoramos uma eternidade a chegar lá. Ai havia um controlo surpresa da organização onde estavam 2 rapazes que estiveram la a acampar de noite e tinham alguma água fresca para abastecer. Volto a preparar electrólitos para ir bebendo até a Torre.



Lá seguimos. Só conseguia pensar em chegar a Torre mas ainda faltava um bocadinho. Estávamos a demorar bastante tempo a fazer 1 Km. Pelas minhas contas faltavam 10 Km para a torre. E a fome cada vez a apertar mais e as forças a começaram a fugir. Acho que neste momento até tive visões. Algumas pedras pareciam-me comida.

Finalmente lá chegamos as Lagoas das Salgadeiras e percebi que estávamos quase a chegar.


Mas quanto mais andávamos mais parecia que nos estávamos a afastar. Ao fim de mais algum tempo lá avistamos a estrada e finalmente a Torre. O abastecimento seria na torre da GNR. Quando entro encontro um cenário não muito agradável. O posto de abastecimento estava quente e húmido com um cheiro pouco agradável. E percebe-se o porque. Vários atletas estavam completamente acabados deitados nos sofás. Uns a dormir outros com caras de enjoados. Encontro uma cara conhecida, o atleta Bruno Bondoso que o ano passado ficou em 1º lugar na prova de 100 Km. Perguntei-lhe o que estava ali a fazer ao que me respondeu que tinha desistido. Estava a correr a prova dos 160 Km e teve de abandonar devido a fadiga e desidratação. Com este cenário que vos conto e ao ver tanta gente a desistir na torre fico a pensar se também não deveria ficar ali. Decidi que não. Já tinha chegado até ali não ia desistir agora. Achei que deveria tentar comer alguma coisa mas estava enjoada e sem apetite. Bebi so coca-cola, abasteci com agua, comi batatas fritas e segui com o Paulo rumo a Loriga.

Ao longo deste ultimo troço Nave da Mestra - Torre fui tendo noticias dos Serranitos. O Xico ia bem posicionado na 4ª posição e já tinha chegado a Loriga. O Luzio tinha ficado um pouco para trás mas teve um acidente a descer a garganta de Loriga. Espetou uma raiz no tornozelo e teve de ir para o Hospital levar pontos.

Sabia que a descida até Loriga ia ser agreste. Mas tinha de ser. Foi muito difícil. Uma descida muito técnica e escorregadia. Quando as pernas já não tinham força a descida era feita com a técnica "de rabo". Estava a ficar bastante saturada de não poder correr mas ao mesmo tempo estava já em fraqueza.


Nesta descida até Loriga soube que o Xico já tinha chegado com um espectacular 3º lugar. Fiquei muito feliz mas agora tinha mesmo era de me preocupar comigo.

Quando avistei o estradão decidi que tinha de correr para tentar por as pernas a trabalhar um pouco. Perguntei ao Paulo se queria vir mas ele disse-me para seguir. Lá fui eu sempre a abrir no estradão que já conheço bem. Ainda na semana anterior tinha descido com o Xico e o Luzio. Ao fazer a descida cheia de speed acabei por gastar as minhas últimas energias a entrar em Loriga. E ao chegar ao abastecimento decido-me a ficar por lá. Não conseguia comer e as pernas estavam sem forças. Ainda tinha cerca de mais 20 Km pela frente até Seia mas sem comer nunca iria conseguir repor as forças e chegar até ao final. 

Tomei uma decisão que custou muito, especialmente porque esta prova era o meu Desafio de 2015. O calor dificultou-me a vida mas a fraqueza e a falta de apetite deixaram cair tudo por terra. No caminho para Seia no jipe da Protecção Civil a coisa bateu-me cá dentro. Quando cheguei a Seia e vi o Xico e a Cláudia a minha espera não aguentei e comecei a chorar. Não era assim que tinha planeado chegar a Seia...  Era assim, a dar um salto destes:



Infelizmente não foi possível. Mas não desisto e para o ano lá estarei novamente.

Este post demorou algum tempo a sair do forno porque tenho andado a ponderar sobre como as falhas podem ser mais interessantes que as vitorias pessoais. Falhar deitou-me abaixo e mostrou-me o quanto consigo suportar. Revelou-me a minha verdadeira força interior. A aventura que passei está na dor que senti em cada momento suado pelo caminho.

Nesse dia tomei a difícil decisão de desistir aos cerca de 50 Km na minha tentativa de concluir a prova. Custou muito mas neste momento já não me arrependo. Os trilhos e as montanhas são professores e os nossos DNF são apenas uma forma de voltar ao principio e aprender tudo outra vez... e quem sabe mais outra vez.

Não desistir de tentar significa que iremos manter o sonho vivo e voltar mais fortes, mais inteligentes e de coração aberto como bons alunos que somos dos trilhos e da montanha.

Até 2016!!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Páscoa Activa

Esta Páscoa foi diferente das habituais. Foi passada no Ribatejo. A correr... 

Saída programada de Lisboa sexta feira santa pela fresquinha a caminho da Golegã para fazer a Meia Maratona. Cada vez gosto menos de confusões e estava a apetecer-me fazer uma meia maratona de estrada num ambiente tranquilo. Já tinha ouvido falar bem desta prova por isso decidimos ir. Estávamos inscritos a bastante tempo para uma prova nocturna de Trail na zona de Santarém no sábado da Pascoa e por isso não podia ter calhado melhor.

Chegamos cedo para levantar os dorsais tranquilamente. Tendo em conta que tínhamos acordado bastante cedo e como já é habitual em mim adormeci no carro. Calma, não se assustem, eu não ia a conduzir :P Assim que saio do carro sinto uma dor forte nas costas na zona perto do pescoço do lado direito e apercebo-me de imediato que não consigo virar a cabeça em condições nem para um lado nem para o outro. "Não quero acreditar que estou com um torcicolo???" Mas era mesmo verdade. Mal me conseguia mexer e só estava confortável com a cabeça ligeiramente "à banda". Já que ali estava não havia volta a dar. Ia tentar correr e logo se via. Fomos levantar os dorsais e decidimos correr um bocadinho pela vila para aquecer. Sabíamos que iam mais alguns elementos do Correr Lisboa e logo os encontrámos. Poucos mas bons :) Assim que começo a correr fico com vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Cada vez me doía mais o pescoço mas ao mesmo tempo constatava a figura que fazia a correr. Aqui até parecia normal.

Foto: André Noronha (Obrigada!!)
O pior foi depois. Tal como prevíamos não havia muita gente na prova e a partida foi tranquila. Logo nos primeiros Km deu para sentir o calor abafado que nos ia acompanhar ao longo de toda a prova. 
O percurso dava uma volta a vila sempre em piso com paralelos e seguia por uma estrada nacional até a uma terra chamada Pombalinho passando perto da Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Este paul é um dos mais importantes do país e destaca-se pelas suas populações de aves nidificantes e por albergar importantes populações de patos no Inverno. 
O percurso é sempre plano o que acaba por ser um bocado saturante. Sabiam bem umas subidas e descidas para apimentar a coisa. Mas isso ficaria para o dia seguinte.
Estava a pensar que me ia custar correr com o pescoço assim mas ao fim de 2/3 Km deixei de o sentir. A prova correu bem, baixei em 3 minutos o meu anterior tempo da 1/2 Maratona, mas a chegada estava um bocadinho torta.


Seguiu-se um almoço no parque do Eccuspolis: Sopa, salada de peixe, bebidas e fruta. No final entregaram os prémios. O Correr Lisboa esteve em grande destaque no sexo feminino com dois elementos no Pódio :) 

Depois do repasto seguimos para Santarém onde ficamos a dormir.

No sábado passeamos por Santarém e depois de almoço resolvemos ir dar um salto ao Bombarral para uma visita ao Bacalhôa Buddha Eden. Com cerca de 35 hectares, o jardim foi criado em protesto contra destruição pelos talibãs dos Budas Gigantes de Bamyan no Afeganistão. Tratam-se de peças da colecção pessoal de Joe Berado. O jardim é bonito mas com poucas sombras e como estava muito calor acabamos por não usufruir muito do passeio.


De seguida fomos a caminho do próximo desafio: Night Trail da Pascoa nas Abitureiras. Iamos aventurar-nos a correr à noite durante 17 Km.

Ao longo do dia fui sentindo o pescoço a ficar cada vez pior e quando me estava a vestir para a prova decidi que ia fazer companhia a amiga Cláudia e ir a um ritmo mais calmo. A prova teve inicio as 20:10 e entusiasmei-me na partida. Quando dei conta já não via a Cláudia. Acabei por vir quase sempre na companhia de duas senhoras muito simpáticas da equipa Lebres do Sado. Para variar não me lembro dos nomes, mas sei que vou encontrá-las no próximo trail em Vale dos Barris.

Os abastecimentos eram fartos. Logo no 1º abastecimento já havia entremeada grelhada entre outros piteus. Dava vontade de ficar por ali mas não se podia perder muito tempo nos abastecimentos.

A prova foi muito engraçada com descidas e subidas interessantes e bom ambiente. Toda a gente muito bem disposta. Fiz a parte final da prova com um rapaz que levava musica no telemóvel mas sem phones e fui muito tempo a ouvir bossa nova. Raio de banda sonora para um trail noturno... hehe...

Uma coisa boa de fazer estas provas de noite é que não se vê bem por onde andamos e assim ao menos não enfrentamos os sítios por onde passamos com tanto medo. É siga para bingo. Logo se vê se tem um buraco ou não. 

No final mais um super-abastecimento com bifanas, sopa e arroz doce. Muito bom. Aqui está a foto a chegada.


Foi uma Pascoa bastante activa com direito a uma prova de estrada, um trail e um torcicolo que só desapareceu após uma massagem tui-na e muita pomada tigre. Nada que a medicina tradicional chinesa não resolva. E desta vez não foi preciso agulhas :)

sexta-feira, 27 de março de 2015

Ausência Prolongada - As minhas desculpas :(

Ola a todos!!!

Peço desde já desculpas pela ausência prolongada.

Já aqui não vinha desde final de Janeiro. Desde que criei o blog foi esta a vez que estive mais tempo afastada destas lides. Infelizmente a minha inspiração tem sido nula.

Chego muito cansada a casa e apenas tenho tido paciência para treinar (correr ou rpm), organizar as lides domesticas e dormir.

Decidi resumir as minhas actividades desde o inicio do ano para fazer um reality check:

Janeiro - Total de Km
Corrida - 111,82 Km 
Bicicleta - 101 Km

Fevereiro - Total de Km
Corrida - 127,52 Km 
Bicicleta - 90 Km

Março (até 27/03) - Total de Km
Corrida - 116,42 KM
Bicicleta - 102,4 Km

De todos os Km de corrida a maioria foi em trail. Ainda não participei em nenhuma prova de estrada desde o inicio do ano... A primeira será a Meia-Maratona da Golegã :)

Fiz 5 provas em 2015:

Janeiro: Território Centro - Proença a Nova - 47 Km
Fevereiro: Trail de Bucelas - 15 Km
                 Território Centro - Vila Velha de Ródão - 48 Km
Março: Território Centro - Vila de Rei - 25 Km
             Trail de Almeirim - 30 Km

Tenho estado a adorar o circuito Território Centro. Os percursos têm sido bonitos e a organização espectacular. Com estas provas mais longas tenho começado a perceber-me que adoro correr completamente sozinha, só com os meus pensamentos, durante horas a fio. A coisa que mais temia nestas ultras era o facto de não conseguir aguentar o esforço. Não tanto o físico mas mais o psicológico. Como me enganei!!! Aproveito esse tempo para limpar e cabeça e no final parece que me sinto muito mais leve e tranquila. 

Aqui ficam alguns registos dos sítios por onde andei:

Trail de Bucelas

Território Centro - Vila Velha de Ródão


Território Centro - Vila de Rei (Marco Geodésico do Centro de Portugal)
Territorio Centro - Vila de Rei
Trail de Almeirim
Até breve!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Território Centro - Proença a Nova (1ª Etapa) a.k.a A Minha Primeira Ultra !!!


No fim de semana de 10-01 foi dado o tiro de partida para a estreia da equipa de Trail Correr Lisboa/Forté Pharma Portugal. O grande momento deu-se em Proença a Nova, na primeira etapa do Circuito Território Centro, organizado pela Horizontes. Esta prova tinha duas distancias 26 Km ou 47 Km. Foi a minha estreia numa Ultra-Maratona mas também a minha estreia na distância da Maratona.

Mas adiante... Vamos ao que interessa. Partida de Lisboa agendada para 6ª feira a tarde com destino a Proença-a-Nova para levantamento de dorsais. A coisa não começou bem. Eu e o Xico tínhamos a nossa boleia a espera e já estávamos em cima de hora. Quando chegamos a Entrecampos apercebo-me que não tinha o telemóvel - equipamento obrigatório para a prova. Decido optar por dar uma olhadela na mochila que estava no porta bagagens quando um semáforo ficasse vermelho. Rapidamente abro a porta do carro sem olhar pelo espelho. Ia sendo passada a ferro por uma mota que acabou por se assustar e bater no carro. Apenas um susto. Ninguém ficou magoado e o carro também não ficou com nenhuma mazela. Não consegui encontrar o telemóvel. Tivemos de dar meia volta e regressar a casa. Quando chego a casa encontro finalmente o telemóvel. Rapidamente regresso ao carro e seguimos. Chegamos um pouco atrasados e estragamos a hora prevista de partida. Mochilas e restante tralha trocada de um carro para o outro e ai vamos nós.

Chegados a Proença fomos jantar, levantar os dorsais e nova viagem, desta vez mais curta, até Oleiros, que será a nossa base para as 4 etapas do Circuito Território Centro: Proença a Nova, Vila Velha de Rodão, Vila de Rei e Sertã. Iniciou-se a preparação do equipamento porque a alvorada seria bem cedo, por volta das 6:30h, e de seguida uma boa noite de sono.


Nessa noite e por estranho que possa parecer não me senti nervosa. Talvez porque ainda não tivesse consciência do que me esperava ou talvez porque o "clique" ainda não se tivesse dado. Dormi bem e na manhã seguinte a mesma sensação de tranquilidade. Agora já começava a estranhar... Tomamos o pequeno almoço e seguimos em direcção a Sobreira Formosa, onde estaria a partida e a meta. Quando entramos no carro que estava cheio de geloverificamos a temperatura ambiente: -3,5ºC. Auchhh... Ao chegarmos ao local da partida ouvimos o briefing e fizemos o controlo zero. Tudo a postos para a partida. Uma foto para a posteridade e aqui vamos nós. Eramos cerca de 185 atletas nas duas distâncias e a partida é dada as 9h. Pensei abordar a prova com muita calma. Nada de grandes speeds que ainda ha muiiiiiiitooooooooo caminho a percorrer. 

O primeiro ponto de interesse por onde passamos foi a cerca de 3/4 Km de Sobreira Formosa - a Praia Fluvial da Fróia. Tivemos oportunidade de passar por cima da barragem e de ter uma vista espetacular sobre a praia com as suas casas de Xisto. Passamos depois por um marco geodésico na zona da Serra da Venda antes da separação da prova de 20 Km e 47Km de onde se tem uma bonita vista.



De seguida passamos por uma zona de levadas e e pequenas cascatas onde foi possível sentir a "frescura" gélida da agua. O primeiro abastecimento era aos 15,4 Km já em Alvito da Beira, uma vila com gente bastante simpática. Os velhotes riam-se com a nossa passagem e chamavam-nos doidos quando explicávamos para onde íamos. No abastecimento não faltou nada. Estava muito completo com direito a sopa e a papas de caroulo, um doce típico da região centro.

Até este abastecimento tive companhia de uns senhores que se tinham perdido mas a partir daqui fiz a prova TODA sozinha.



Passei pelo abastecimento liquido aos 23 Km. Pergunto se era a ultima, ao que o rapaz me respondeu que não. Ainda estavam 2 senhoras atrás de mim. O meu objetivo para esta prova era apenas e só chegar ao fim e de preferência dentro do tempo obrigatório para conclusão da prova: 10h. Estava mais ou menos a meio e achei que se tudo continuasse como até ali talvez conseguisse terminar dentro do tempo limite. 

Aqui começou a verdadeira batalha mental. Nunca imaginei conseguir gerir tão bem esta parte mas acho que a descontração com que abordei a prova deve ter ajudado. Estava a sentir-me cada vez melhor. O próximo abastecimento sólido seria dali a 8 Km em Catraia. Passamos por mais uma praia fluvial espetacular que parecia um espelho em Cerejeira. 

Chegada ao abastecimento de Catraia ao Km32 tenho a noticia que as outras duas senhoras tinham desistido e que estavam apenas a minha espera para arrumar o abastecimento. E assim me tornei a ultima. Os voluntários que estavam no abastecimento deviam estar a apanhar a maior seca da vida deles e quando me viram devem ter gritado por dentro FINALMENTE. Estava a cerca de 10/15 minutos dos senhores que me deixaram para trás no primeiro abastecimento. 

Sabia que ao Km35 encontraria a pior subida. O que não sabia era que iria encontrar uma paisagem fora do vulgar. A vista do posto de vigia florestal da Serra das Talhadas a 600 m de altitude é incrível.




Não consegui subir ao posto porque não tinha tempo... :) mas diz-se que quando o dia está limpo, como o que estava no sábado passado, é possível avistar a Torre na Serra da Estrela que se encontra a cerca de 100 Km de distância. 

Agora era aproveitar a descida até ao abastecimento dos Montes da Senhora a 39 Km de prova. Ai fui espetacularmente bem recebida pelas pessoas da vila e pelos membros da organização que queriam perceber se eu estava bem e em condições para continuar. Estava óptima e pronta para atacar os últimos 7,7 Km.



Coloquei o frontal (gentilmente emprestado pelo Tiago Rodrigues) porque o sol já se estava a por e segui caminho. Estes foram os Km mais importantes. Percebi que iria chegar bem antes das 10h de tempo limite. Uffff que alivio. Os malandros ainda tinham preparado mais duas subidas antes de chegar a Meta. Brincalhões. Quando atingi a distancia da Maratona dei um berro no meio da floresta. Não sei se alguém ouviu mas de certeza que foi uma ajuda para afugentar os animais que com o normal cair da noite se começam a aventurar pelos arbustos. Não sei que animais eram mas esses Km foram feitos sempre a olhar em frente sem verificar que bichos estariam a remexer a terra atrás dos medronheiros... 

Quando dei por mim já estava a sair dos trilhos e a entrar em Sobreira Formosa sem precisar de ligar o frontal. Chego então a um pequeno largo onde vejo o Xico da Boina e o amigo Luzio a minha espera perto da meta. Passei então a meta com um tempo de 8h31. Perceber que tinha conseguido concluir esta prova sem dores e sem mazelas fez-me sentir nas nuvens.




Foi sem duvida um dos momentos mais importantes da minha vida. O facto de fazer a prova sozinha fez-me pensar em muita coisa e isso fez-me bem. Cantei, ri-me muito e disse alguns palavrões. Tive o privilégio de passar por sítios lindíssimos e por locais onde tenho a certeza que nunca passaria se não fosse o facto de me meter nestas aventuras. Conheci o verdadeiro Portugal profundo. 

Este pequeno (grande para mim) feito dedico-o ao Correr Lisboa mais precisamente ao Bruno e a Sandra. Tal como já referi uma vez se não fosse a motivação deles quando comecei a correr se calhar agora a corrida já não estaria na minha vida. Agradeço também o facto de terem acreditado em mim para representar o Correr Lisboa na equipa de trail Correr Lisboa/Forté-Pharma. Espero não vos desiludir.


Dedico também este feito ao meu guia e atleta favorito "Xico da Boina" por todo o apoio e força.



Para acabar deixo-vos com um dialogo que tive com uma sábia senhora pastora com que me cruzei algures pelo caminho e que parecia a pessoa mais serena do mundo:

-"Olha lá rapariga, onde é que tu vais a correr a esta hora?"

- "Vou para Sobreira Formosa? Acha que ainda lá chego hoje?"

- "Chegar chegas... Mas os teus amigos já passaram aqui de manhã..."

- "Então já vou atrasada!!"

- "Não. Só apreciaste melhor os sitios por onde passaste. Saúde e força".

Fiquei deliciada. Aqui está ela: